domingo, 22 de novembro de 2015

Abandonado

A luz do sol de primavera entra pela janela do meu quarto. Olho o relógio. São 6:00. O melhor despertador. O mais pontual. "Que droga!" - resmungo. Por mais cedo que vá para cama, acordar sempre foi um problema para mim. "Não sou uma pessoa matutina. Não sou uma pessoa vespertina também.  Nem tão pouco noturna" - continua a resmungar. Atualmente, não suporto sair da cama. Para nada. Comer. Tomar banho. Trabalhar. Estudar. Ler. Assistir TV. Nada me interessa". Minha vida é uma droga. Nada de interessante acontece, aconteceu, e acredito que não acontecerá. Vivo porque tenho medo do suicídio.

Várias vezes pensei nisso. Certa vez, cheguei a brincar, passando uma faca em meus punhos. Mas cadê a coragem para fazer com força? Sentir a pele sendo ferida, o sangue brotando pelo corte recém deferido nela? Só de pensar sinto uma mistura de aflição e prazer.

Esses pensamentos surgiram na adolescência. Fase difícil. Complicada mesmo. Não conseguia me encaixar. Não me enxergava pertencendo a nenhum grupo que frequentava. Ria. Festejava. Mas não me sentia querida. Para mim, as pessoas sempre me usavam. Sempre queriam que fizesse algo para elas. Queriam que eu as escutassem quando estavam com problemas. Mas quando a moeda virava: "Cadê todo mundo?" Tantas vezes me senti ridicularizada, diminuída, desprezada.  Não só pelos de fora, mas por meus familiares também. Nunca fui uma pessoa querida. Por quê? Talvez o Espiritismo explique. Não acredito em vidas passadas, porém se existe, só pode está lá a explicação.

Não pense que melhorou com a idade adulta. Continuei sendo usada, não querida. Suportada. Esse sempre foi o sentimento que tive: Eu era suportada. Era necessária naquele momento, então tinham que me aceitar. Me suportar.

Essa sensação de ser aturada, suportada, necessária é, inacreditavelmente, dolorosa. Muito mais que a dor física. E a falta de coragem de findar essa dor por medo da outra, é esmagadora. Deixa a pessoa debilitada. Enfraquece. Adormece. Deprime.

Hoje trabalho. Sorrio. Brinco. Conto casos. Invento histórias. Aliás, como sempre fiz. Mas conviver com os outros é por demais perturbador. Não consigo mais me entregar. Deixar me envolver. Morro de medo de ser ferida. Magoada. É por demais doloroso. Permitir que alguém entre em sua vida, confiar, torná-lo amigo, se envolver em seus problemas, e em seguida ser traído ou traída, não isso não é mais para mim. Tenho meus colegas de trabalho, curso, academia, o escambau. Mas dentro de minha vida, sabendo minhas dores, não dá mais. Não tenho mais estomago, coração, forças para sofrer isso tudo e me erguer novamente. Fiz tanto, me imaginei uma Fenix, sempre ressurgindo das cinzas. E quantas cinzas foram!! Mas percebi que a Fenix é apenas uma figura mitológica, e que eu estou mais para um minotauro, preso num labirinto abandonado.




























domingo, 15 de novembro de 2015

Matando e Morrendo


13/11/15. Sexta-feira, à noite. Para o povo francês uma sexta de má sorte. Muita má sorte. Em nome de Deus, ou Alá, o povo decide quem deve ou não viver. Para defender a população dos países extremistas, o povo decide quem deve ou não viver. Pergunto-me: "Quem são os terroristas mesmo?" Será que o terror só é causado quando atacam nossas cidades ocidentais, por aqueles de costumes diferentes e estranhos aos nossos. Ou nós, os ocidentais, com seus costumes escandalosos, pecaminosos aos olhos de Alá?
As pessoas estão morrendo e matando em nome de um Ser que só é amor. Que quer o respeito entre seus filhos. Não importa o nome que você dê a Ele. Não importa se é homem ou mulher. Não importa. Deus, Jeová, Alá, Oxalá. Não importa. Ele representa o amor.

Estou em estado de choque. Não consigo entender a razão de atacar pessoas que não tem nada a ver com suas guerras. Por que atacar somente civis? Por que não atacar uma base militar, não que isso justificasse. Nada justifica. Porque quando atacam por lá, supostamente, é onde estão os extremistas. Posso está falando um monte de asneira, mas... não tinha como não falar algo. Mostrar minha indignação. 

Será que essas ações, tanto dos "aliados ocidentais" quanto dos grupos extremistas, valem a pena? Os resultados são positivos? Quem ganha? Sexta foi a França que foi atacada. Amanhã ela ataca quem a atacou. Depois, eles atacam novamente... isso está mais para um ciclo vicioso do que para ações visando um resultado final. Um cabo de guerra para demonstrar o poderio bélico de cada um, demonstrar quem arquiteta o ataque mais poderoso, com maior número de vítimas.

Novamente afirmo, posso está falando um monte de asneira, mas é como eu penso.

sábado, 14 de novembro de 2015

Treinando


Verificando minhas redes sociais, vi um post de um médico obstetra. Nele ele relata que, quando foi dar alta a um paciente, a encontrou chorando. Bem resumindo, ela estava com medo de ir para casa e cuidar do bebê recém-nascido, não sabia como criá-lo. E ele disse "Você vem treinado desde criança."
E refletindo sobre essa afirmação dele " Você vem treinando", percebo que a mulher é criada desde o nascimento para ser mãe, esposa, dona de casa. E ai daquele que não aceita essa "sentença". Ai daquela que decida ser uma mulher de carreira.
"Não pode! Você não vai casar?! Que absurdo!!!". Você deve pensar: "ah! isso não acontece hoje em dia." A mulher para se realizar tem que criar uma família. Ainda sofremos o que nossas mães sofreram. E acredito, as filhas de nossa geração também.
Você que está lendo, já é mãe? Ou pai? Tanto faz. Já? Tem uma filha ou sobrinha? Qual foi o primeiro brinquedo que ela ganhou? Tenho certeza que foi uma boneca. Ou um bichinho de pelúcia, que fatidicamente, irá se tornar "seu primeiro filho". Quando maiorzinha, os presentes se resumirão a conjuntos de panelinhas, cozinhas de brinqueco, casinha de boneca. Para variar um pouco, aqueles kites de cuidados pessoais, com maquiagem, escovas, secadores de plásticos.
Desde pequenas, sempre recebemos lembretes do que a sociedade espera de nós, mulheres. Sejamos boas filhas, boas esposas e excelentes mães. E se de quebra formos profissionais razoáveis, melhor, se não tudo bem. Aí me lembro da grande polêmica que Simone de Beauvoir causou no Enem desse ano. "Ninguém nasce mulher, torna-se mulher". Concordo plenamente com ela, mas vou um pouco além, e a parafraseio, Ninguém nasce homem, torna-se homem, também. Claro que sim. Partindo do mesmo pressuposto de Beauvoir, ao longo da vida, sociedade vai dizendo a nós, mulheres, o comportamento, a forma de falar/de vestir, o que fazer e, principalmente, o que não fazer. Mas também temos a máxima "O homem não chora", que é a clássica forma de manter viva a ideologia machista comportamentalista que tanto gira o mundo desde sempre.
Sim, passamos a vida TREINANDO, para nos tornarmos HOMENS ou MULHERES, mas esqueceram de nos treinar para SERMOS HUMANOS.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Morrendo


Hoje é sexta-feira. Final de tarde. Para muito o horário de trabalho está finalizado, mas para mim, eu não tenho esse luxo. Folga?!?! Isso é para os simples mortais, posso dizer que meu expediente é de 24/7, ou seja, vinte e quatro horas por sete dias na semana. E se o Homem inventasse mais um dia, eu trabalharia. Não. Não sou uma viciada em trabalho, mas ninguém faz meu trabalho como eu.

Hoje, estou acompanhando, especificamente, uma jovem na faixa dos vinte e cinco - trinta anos, a estou observando em seu escritório. Ela é gerente de uma grande multinacional. Cuida do Setor Financeiro da filial na cidade. Cargo de grande importância. ela é muito responsável e profissional, começou a trabalhar aqui quando, ainda, estudava no ensino médio, através do Programa Jovem Aprendiz. Cedo ela mostrou a que tinha vindo. Dedicada, começou como auxiliar de escritório, no cargo conhecido antigamente como office boy, ou no caso dela, officie girl... circulou por diversos setores nos dois primeiros anos do estágio. Mas se identificou com o financeiro. Na época do ENEM, decidiu cursar Ciências Contábeis.

Decidida a permanecer na mesma empresa, procurou seus chefes e conversou com eles.

__ Esse é meu último semestre no colégio. Mas gostaria muito de continuar a trabalhar aqui. Mesmo como estagiário.

__ Quais são seus planos para depois do colégio? - Perguntou Nora, Gerente de RH.

__ Vou entrar na faculdade de Ciências Contábeis e ser efetivada no setor aqui na empresa.

__ Você vai tentar, você quer dizer. - Corrigiu meu chefe.

__ Senhor, com todo respeito. EU. VOU. EU JÁ CONSEGUI. Em minha vida sempre pensei assim, se eu determinar que conseguirei algo. Conseguirei. E tem dado certo.

__ Pois bem. Vou levar sua solicitação à presidência e depois conversaremos. - Concordou Nora.

E foi exatamente o que aconteceu. Ela fez o ENEM, tirou uma excelente nota, o que abriu as portas de diversas faculdades, escolheu a estadual, por ser de renome e para não se comprometer com a mensalidade. Manteve seu estágio, mas um ano antes da formatura foi efetivada. E aos poucos foi recebendo promoções. Fez cursos de especializações e estava fazendo o mestrado.

Mas hoje é sexta-feira, e como todo trabalhador, após o serviço ela irá sair para curtir com suas amigas. 17:30. Ela tranca suas gavetas, desliga seu computador, pega algumas pastas para fazer uma revisão em casa durante o fim de semana, coloca dentro de sua maleta. Pega a bolsa e se despede da secretária. Espera o elevador com outros funcionários do andar. Desce os 12 andares que a separam da rua. Ainda no saguão do edifício, ela ouve o burburinho que vinha da rua. Estranha aquela movimentação toda. Pelo vidro do prédio ela podia ver pessoas correndo sem direção, de um lado para o outro. Ela continua seu caminho. Atravessa a porta de entrada. Caminha até a calçada. Sente o choque. Cai no chão. Agora começa meu serviço. A polícia chega. O SAMU também. Muitos no chão. Poças e mais poças de sangue.

Nossa amiga, lá deitada, segurando a bolsa e a maleta. Abre os olhos, percebe que está  no chão. E um corpo sobre o seu. Leva um susto. Quem é aquele estranho que a derrubou daquele jeito? Porque ele está em cima dela? Então vira a cabeça e olha para os lados. E ver todo o tumulto ao seu redor. Policiais correndo. Pessoas gritando, gemendo. Agentes do SAMU indo e vindo. O estranho se mexe.

__ Mantenha-se deitada. Está ferida?

__ Acho que não. O que aconteceu? Por que me derrubou?

__ Você estava na mira do atirador. Quando vi, me joguei. Desculpa pelo mal jeito.

__ Que é isso! Eu tenho que agradecer. Pelo visto, você salvou minha vida.

Dessa vez, não a levei. Mas nesta tarde, pelo menos 5 trabalhadores não curtiram sua sexta-feira. Não voltaram para suas casas. Não verão suas esposas, filhos, pais, familiares ou amigos. Seus corpos ficaram na calçada, inertes. Suas almas? Essas eu as levarei comigo. Agora pertencem a mim.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Chorando na chuva


Mais uma vez estou aqui, esperando para reencontrá-la. Todos os dias é o mesmo sacrifício que faço. O que antes era um prazer uma paixão, hoje virou uma fonte de grande dor. Ir trabalhar para mim exige uma grande quantidade de força de vontade. Um verdadeiro exercício de autocontrole e superação.

Lembro como se fosse hoje, o dia que entro no escritório, recém saída da faculdade de Direito, todo aquele vigor e sede de conhecimento, o mundo idealizado, que embora não fizesse muito tempo que saíra da faculdade, já vinha esfriando em mim. A realidade dos litígios era muito dura. Aos poucos íamos nos despindo das ilusões que trazemos ao longo de nossas vidas. Você trouxe um novo gás para nosso escritório. Linda, dona de uma pele cor de jambo, cabelos presos em um rabo de cavalo, vestindo um terno feminino em tom escuro, sóbrio. Para mim, foi paixão à primeira vista.

E entre um caso e outro, fomos nos envolvendo, nos envolvendo cada vez mais. Minha paixão pela advocacia tinha ganhado uma nova companheira, minha paixão por você. E nos apaixonamos, namoramos. Essa paixão só crescia dentro de mim.

Tomei coragem, preparei uma grande festa surpresa nosso aniversário de namoro. Contratei um belo buffet, um músico de nosso gosto, convidei nossos familiares e amigos íntimos. Claro, já víamos conversando sobre o assunto antes, então ficou mais fácil fazer o pedido, a certeza do SIM era absoluta. Mesmo assim, o frio na barriga era imenso. Parecia que sucumbiria ao nervosismo e teria um ataque cardíaco. Então quando chegamos ao local, ajoelhei-me, segurei suas mãos e fiz a pergunta: Você quer se casar comigo? Todos no salão fizeram silêncio, todos engoliram seco. Um silêncio ensurdecedor tomou conta do salão. Não sei quanto tempo demorou sua resposta, mas para mim foi uma eternidade...

Levanto minha cabeça, vejo seu semblante, sua face inalterada, sem nenhuma expressão... “Deus o que isso significa?!” Você olha para os lados, vê seus pais, os meus pais, nossos irmãos, primos, tios, melhores amigos, amigos mais chegados... “O que estará se passando em sua cabeça?”, “Fala alguma coisa.”
Então sua resposta vem, um sonoro e seco: NÃO. E me puxa para o lado, para conversarmos...

Você me diz que gosta muito de mim, que é feliz ao meu lado, ama minha companhia, mas jamais pensava em casar-se. Não era do seu perfil. Que sentia muito e que eu deveria ter lhe perguntado antes de preparar todo aquele circo. E simplesmente saiu de minha vida...

Agora tenho que conviver com você todos os dias, sabendo que jamais será minha. Saio de casa com meu coração dilacerado, mas me visto de uma fantasia e me dirijo ao escritório. Jamais você me viu abalado por sua decisão. Embora perceba, ainda hoje, os olhares de todos. “Meu Deus, não teria coragem de retornar ao trabalho depois daquele fiasco”. Mas eu ainda tenho meu orgulho. E nunca a deixarei ver como estou arrasado por dentro. Aprendi a esconder minhas dores e sofrimentos.

Aproveito os dias chuvosos para aliviar essa dor que me invade diariamente. Saiu caminhando na chuva, escondendo as lágrimas que ainda hoje cai por minha face. Assim ninguém diferenciará as gotas d’águas das lágrimas que escorrem. Lágrimas que caem do céu nunca tirarão essa sensação de solidão que me invade o peito constantemente. Com minhas lágrimas misturadas às gotas de chuva caídas do céu, espero conseguir esconder de você que ainda a amo.

Um dia meu choro findará, então vestirei um sorriso verdadeiro e sincero. Mas até lá, você jamais me verá reclamar. Irei chorar minhas dores na chuva.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Falhando

Admito: Eu falhei!

Fiz a mim mesmo uma proposta e fui incapaz de realizá-la. Falhei. Miseravelmente falhei.

Às vezes precisamos nos desafiar para colocar metas em nossas vidas. Tá certo nesse exato momento estou envolvido, além desse projeto, em uns três projetos. Todos relacionados a trabalho.

Tudo na vida deve se resumir a metas. Aprendi cedo. Estipulei que seria uma pessoa reconhecida profissionalmente, ao redor do mundo. Estou chegando lá. Pelo menos, já fiz meu nome profissional em alguns países. Sou muito famoso em próprio país. Minha mala vive pronto, uma vez que vivo viajando. Não tenho tempo para uma vida pessoal. Trabalho. Trabalho. Trabalho. Meu nome, nome do meio e sobrenome.

Ainda na escola, sempre fui o aluno número um, mas nunca fui um nerd. Estudava para aprender e as notas vinham como consequência. Nunca sai de uma aula com uma dúvida se quer. Perguntava mesmo. Minha mãe me ensinou que professor está em sala para sanar minha ignorância. E muitos dos meus professores (do primário à faculdade) gostavam quando fazia isso. Mas tem sempre aquele que se acha o PROFESSOR, O GRANDE MESTRE, esses gostava de desafiar. Estudava a matéria dele de véspera, vinha para sala com cada pergunta!! Alguns me respondiam sem problema nenhum, e logo. Mas teve uns dois ou três que, falando sério... que deixei sem graça em sala.

Certa vez, por conta disso, fui levado à direção da escola. "Esse menino estava conturbando a aula". Disse o professor de História do Brasil. "Prof. Henrique, sou um aluno aplicado. Estava com dúvida, tinha que perguntar, não é?" falei para o diretor. E ele disse, todo com um ar pedagógico: "Claro, meu filho!". O prof. Henrique era um cara barrigudo, com cabelo ralo, cacheado e meio ruivo, usava óculos com aro grosso e preto, meio baixinho, mas muito simpático. "Então, tive minha dúvida e perguntei. Não vejo nada de errado nisso. Não consigo enxergar onde eu estava atrapalhando a aula." "Até agora, nem eu."Olhando com um ar reprovador para o prof. Sérgio, que aparentava ser mais velho que a própria escola, muito tradicional, dificilmente era questionado por um aluno, sobre qualquer coisa. Quem entendia entendia, quem não entendia fingia. "Mas eu respondi. Embora achasse sua pergunta descabida. Onde já se viu perguntar se D. Pedro estava com.. humm... problemas intestinais no momento da Proclamação da República?!" "Tá. Respondeu. Mas não fiquei satisfeito com a resposta dele. Eu li que ele estava com "problemas intestinais" e parou no Ipiranga por isso. E o professor ficou enrolando para negar com argumentos históricos a tal declaração." Como um bom diplomata, prof. Henrique resolveu a questão, confirmando minha história, porém sem negar as afirmações do prof Sergio, afirmando que "existe sim uma vertente da História Brasileira que afirmava isso e outra que negava, e pelo visto, nosso amado prof. defende essa segunda." Minha meta, naquele dia, assumo, era irritar o velhaco. Fui mais do que bem sucedido (ah-ah-ah).

Como disse, sempre fui capaz de atingir minhas metas. Mas acho que dessa vez, não vou consegui. Estou muito atrasado no prazo. E essa era a primeira meta sem ser relacionada a vida profissional. Era puro prazer. E miseravelmente, percebo que não sou nada além de trabalho.