Admito: Eu falhei!
Fiz a mim mesmo uma proposta e fui incapaz de realizá-la. Falhei. Miseravelmente falhei.
Às vezes precisamos nos desafiar para colocar metas em nossas vidas. Tá certo nesse exato momento estou envolvido, além desse projeto, em uns três projetos. Todos relacionados a trabalho.
Tudo na vida deve se resumir a metas. Aprendi cedo. Estipulei que seria uma pessoa reconhecida profissionalmente, ao redor do mundo. Estou chegando lá. Pelo menos, já fiz meu nome profissional em alguns países. Sou muito famoso em próprio país. Minha mala vive pronto, uma vez que vivo viajando. Não tenho tempo para uma vida pessoal. Trabalho. Trabalho. Trabalho. Meu nome, nome do meio e sobrenome.
Ainda na escola, sempre fui o aluno número um, mas nunca fui um nerd. Estudava para aprender e as notas vinham como consequência. Nunca sai de uma aula com uma dúvida se quer. Perguntava mesmo. Minha mãe me ensinou que professor está em sala para sanar minha ignorância. E muitos dos meus professores (do primário à faculdade) gostavam quando fazia isso. Mas tem sempre aquele que se acha o PROFESSOR, O GRANDE MESTRE, esses gostava de desafiar. Estudava a matéria dele de véspera, vinha para sala com cada pergunta!! Alguns me respondiam sem problema nenhum, e logo. Mas teve uns dois ou três que, falando sério... que deixei sem graça em sala.
Certa vez, por conta disso, fui levado à direção da escola. "Esse menino estava conturbando a aula". Disse o professor de História do Brasil. "Prof. Henrique, sou um aluno aplicado. Estava com dúvida, tinha que perguntar, não é?" falei para o diretor. E ele disse, todo com um ar pedagógico: "Claro, meu filho!". O prof. Henrique era um cara barrigudo, com cabelo ralo, cacheado e meio ruivo, usava óculos com aro grosso e preto, meio baixinho, mas muito simpático. "Então, tive minha dúvida e perguntei. Não vejo nada de errado nisso. Não consigo enxergar onde eu estava atrapalhando a aula." "Até agora, nem eu."Olhando com um ar reprovador para o prof. Sérgio, que aparentava ser mais velho que a própria escola, muito tradicional, dificilmente era questionado por um aluno, sobre qualquer coisa. Quem entendia entendia, quem não entendia fingia. "Mas eu respondi. Embora achasse sua pergunta descabida. Onde já se viu perguntar se D. Pedro estava com.. humm... problemas intestinais no momento da Proclamação da República?!" "Tá. Respondeu. Mas não fiquei satisfeito com a resposta dele. Eu li que ele estava com "problemas intestinais" e parou no Ipiranga por isso. E o professor ficou enrolando para negar com argumentos históricos a tal declaração." Como um bom diplomata, prof. Henrique resolveu a questão, confirmando minha história, porém sem negar as afirmações do prof Sergio, afirmando que "existe sim uma vertente da História Brasileira que afirmava isso e outra que negava, e pelo visto, nosso amado prof. defende essa segunda." Minha meta, naquele dia, assumo, era irritar o velhaco. Fui mais do que bem sucedido (ah-ah-ah).
Como disse, sempre fui capaz de atingir minhas metas. Mas acho que dessa vez, não vou consegui. Estou muito atrasado no prazo. E essa era a primeira meta sem ser relacionada a vida profissional. Era puro prazer. E miseravelmente, percebo que não sou nada além de trabalho.
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